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Netflix, nostalgia e safe returns

As produções originais Netflix já possuem seu espaço demarcado na indústria audiovisual – considerando que algumas dessas produções foram indicadas e concorreram à grandes premiações cinematográficas.

A empresa e sua base de dados, compreende um universo infinito de gostos, opções e desejos de todos os assinantes. Com esse auxílio, sabemos que a Netflix faz proveito da ação para realizar produções originais e/ou inserir antigos produtos audiovisuais, da televisão e do cinema, em seu vasto catálogo de filmes, séries e documentários, com o objetivo em garantir um público fiel. Diante dessa ação de resgate, entende-se a prática a partir do conceito de safe returns, ou seja, de um retorno seguro para pensar o audiovisual dentro da condição de um valor econômico presente na nostalgia.

E aí, você se pergunta: como assim valor econômico na nostalgia? Isso mesmo! A nostalgia se tornou um componente bastante explorado nos últimos anos. Se olharmos para trás, percebemos que esse movimento não surge no streaming, faz parte de uma ação bem comum. Um bom exemplo são as franquias cinematográficas, como Star Wars (estreará ainda esse ano o seu filme número nove). Há um valor cultural permanente entre os fãs (público fiel) que assegura um retorno financeiro às produtoras. Outro bom exemplo, está na indústria da televisão brasileira, nos famosos remakes de novelas. Entretanto, agora temos um outro espaço para a realização desse movimento, que é o caso da Netflix, que reconfigura características comuns de outras mídias no consumo de audiovisual no ambiente digital.

Esse fenômeno acontece, segundo as autoras Niemeyer e Wentz do livro “Media and nostalgia: yearning for the past, presente and future” (tradução livre, Mídia e nostalgia: ansiando pelo passado, presente e futuro), publicado em 2014, diante o vínculo sentimental que possuímos com os produtos. Daí, a partir disso, grandes produtoras e empresas utilizam a nostalgia como uma ferramenta poderosa para fortalecer suas produções.

É diante do interesse mercadológicos que o conceito de safe returns se aplica. Na busca dos fãs por novos produtos, na procura das empresas por grandes bilheterias. E se pararmos para pensar, em todos ambientes há uma exploração econômica de determinado produto. Estamos diante de uma cultura residual, enraizada no valor nostálgico, capaz de ativar memórias e experiências em um mercado em constante circulação.

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